domingo, 18 de abril de 2010

LEMBRANÇAS E RELATOS DE UM VETERANO DO 1º GRUPO DE CAÇA - Parte 23


PILOTOS MORTOS EM COMBATES, NA ITÁLIA, ABATIDOS PELAS ANTIAÉREAS INIMIGAS


1 – 2º Tenente Aviador John Richardson Cordeiro e Silva - em combate no dia 06 de novembro de 1944.










John Richardson Cordeiro e Silva, 1º Tenente (post-mortem), nascido no dia 29 de setembro de 1922, filho de Antônio Cordeiro e Silva e D. Leonice Richardson Cordeiro e Silva. Sentou praça no dia 03 de junho de 1941. Faleceu em combate na Itália no dia 06 de novembro de 1944..


Teve quatro citações e desempenhou missão de guerra. Agraciado com as seguintes medalhas: Campanha da Itália, Cruz de Sangue, Cruz de Bravura. Sepultado em Pistóia.


Suas cinzas repousam no monumento aos mortos da segunda guerra mundial.


Tenente Aviador John Richardson Cordeiro e Silva, abatido no dia 06 de novembro de 1944, quando atacava uma posição de artilharia nos arredores de Bolonha, integrado uma esquadrilha de quatro aviões do 345º Esquadrão de caça Norte Americano. Esse esquadrão era conhecido pelo seu arrojo e experiência em combate. Nada respeitava e tanto isso é verdade, que não respeitaram a inexperiência de Cordeiro.


Levaram-no a Bolonha, a cidade mais bem defendida pela antiaérea do vale do pó, para realizar um ataque rasante, após um bombardeio picado em qualquer ponto do Norte da Itália.


Bolonha aparecia nas cartas de navegação, assinalada por uma enorme mancha vermelha, sinal irretorquível de que estava bem defendida.


O Tenente Cordeiro, conhecia muito bem a situação. Entretanto não vacilou em enfrentá-la, até que em dado momento, começou a distinguir nas proximidades do seu aparelho, em vôo vertiginoso, pequenos rolos de fumo branco e negro característicos das explosões das granadas de 20 e 88 milímetros.


Um veterano, talvez tivesse se esquivado de fazer nova passagem sobre o alvo, porém o jovem e briosos oficial, com tanta bravura, não vacilou em empreendê-la, ocasião em que o alvejaram.


Pelo rádio ainda comunicou ao Comandante da esquadrilha que seu avião lançava fumaça, mas o motor funcionava bem.


Em seguida nova mensagem: O aparelho estava incendiando e que iria abandoná-lo. Não chegou porém a fazê-lo, morrendo preso à nacele da sua máquina em chamas.


Perdia o Brasil seu primeiro piloto em operações de guerra. O Boletim do Grupo assinalou com Justiça: O desaparecimento do Tenente Cordeiro causa a todos nós profundo pesar pela perda dum amigo, ótimo oficial e excelente piloto. Mas deixa conosco o maravilhoso exemplo de sua indômita coragem e do sacrifício da vida pelo mais alto dos ideais: A Pátria.


2 – 1º Tenente Aviador João Maurício Campos de Medeiros – em combate no dia 02 de Janeiro de 1945.










João Maurício de Medeiros, Capitão Aviador (post-mortem), nascido no dia 15 de abril de 1921, filho de Maurício Campos de Medeiros e de D. Mariana Isabel da Silva Lobo Medeiros. Sentou praça no dia 30 de setembro de 1942. Faleceu em combate, na Itália no dia 2 de janeiro de 1945.


Obteve seis citações e desempenhou 32 missões de guerra. Agraciado com as seguintes medalhas: Campanha da Itália, Cruz de sangue, cruz de aviação (Fitas A e B), Cruz de bravura e AIR Medal (com um cluster).


Sepultado em Pistóia. Suas cinzas repousam no monumento aos mortos da segunda guerra mundial.


Sumário da missão nº 138, durante a qual foi abatido o segundo tenente aviador João Maurício Campos de Medeiros.


Às 8h40m do dia 2 de janeiro de 1945, 4 aviões deste grupo decolaram sob o comando do 1º tenente aviador Ismar Ferreira da Costa, a fim de realizarem um esclarecimento armado na área delimitada pelas seguintes cidades; Piacenza, Brescia, Bergamo, Turim, e Gênova. Após terem bombardeado uma ponte de estrada de rodagem sobre o rio Vara a NE de Spezia, a esquadrilha seguiu para Gênova, iniciando daí em direção ao N o esclarecimento da área que lhes havia sido designada.


Às 10h15m, próximo à cidade de Alexandria, uma locomotiva e vários vagões que ali estavam estacionados, foram atacados, o que provocou fortíssima reação da artilharia antiaérea inimiga.


Nessa ocasião , o piloto do quarto avião da esquadrilha, 2º tenente aviador João Maurício Campos de Medeiros, comunicou pelo rádio que seu avião estava pegando fogo e que ele ia lançar-se de para quedas. Ainda sob intenso fogo antiaéreo, o que dificultava uma observação mais cuidadosa, os demais pilotos da esquadrilha puderam ver que o avião do tenente Medeiros ganhava altura rapidamente, voando já cerca de 1.000 metros, deixando grosso rastro de fumo preto e que, ao atingir 1.200 metros aproximadamente, mergulhou quase verticalmente até explodir de encontro ao solo. Não foi possível aos demais aviões permanecerem no local, a fim de verificarem se o tenente Medeiros havia saltado de para quedas, devido ao intenso fogo antiaéreo que ainda persistia.


Considerando-se que o avião foi visto cair desgovernado de mais de 1.000 metros de altura e a resolução já tomada pelo piloto de lançar-se de para quedas, tudo leva crer que assim haja procedido, a menos que tenha sido ferido antes de poder fazê-lo.


Relata o então Tenente coronel aviador Luiz Felipe Perdigão, no seu excelente livro Missão de Guerra. Ninguém viu o para quedas abrir, e uma incógnita pendurou até dez dias depois, quando o rádio de Berlim deu Medeiros e Motta Paes como prisioneiros.


Então foi verdadeira festa, com alegria de sabê-lo vivo, só desmentida após o término da luta, pelas evidências colhidas no próprio local da queda. O rapagão de rosto redondo que filosofava, ante um copo de vinho e uma gargalhada sonora – viver pouco, mas viver intensamente – cumpria seu vaticínio.


Sim, o para quedas chegara a abrir, mas apenas em tempo de lançá-lo sobre fios de alta tensão, onde encontrou a morte. E a rádio nazista, para quem tudo valia em matéria de propaganda, bem se vê que não perdera tempo.


3 – 1º Tenente Aviador Aurélio Vieira Sampaio – em combate no dia 22 de janeiro de 1945.










Aurélio Vieira Sampaio, Capitão Aviador (post-mortem), nascido no dia 31 de maio de 1923, filho de Lauro Sampaio e de D. Cansuuelo Veira Sampaio.


Sentou praça no dia 1 de abril de 1940. Faleceu em combate na Itália no dia 22 de janeiro de 1945.


Teve cinco citações e desempenhou 17 missões de guerra. Agraciado com as seguintes medalhas de campanha da Itália, Crus de Aviação (firas A e B), Cruz de sangue, Cruz de bravura, campanha do Atlântico Sul e AIR Medal.


Sepultado em Pistóia. Suas cinzas repousam no monumento aos mortos da segunda guerra mundial.


1º Tenente Aviador Aurélio Vieira Sampaio, abatido no dia 22 de janeiro de 1945, quando atacava uma locomotiva estacionada em uma localidade próxima de Milão, em cumprimento de sua 16º missão ofensiva. Falou pelo rádio: Há 20 milímetros em quantidade! Depois mergulhou no flak para o ataque, e não tornou a sair: meteu a asa na chão, explodiu.


4 – 2º Tenente Aviador Frederico Gustavo dos Santos – em combate no dia 13 de abril de 1945.










Frederico Gustavo dos Santos, 1º Tenente Aviador (post-mortem), nascido no dia 09 de outubro de 1925, filho do Dr. João Gustavo dos Santos e de D. Luísa Santos.


Sentou praça no dia 23 de maio de 1944. Faleceu em combate na Itália no dia 13 de abril de 1945. Teve cinco citações e desempenhou 44 missões de guerra.


Agraciado com as seguintes medalhas: Cruz de Aviação (fita A), Cruz de sangue, Cruz de bravura, Medalha da Campanha do Atlântico Sul e AIR Medal. Sepultado em Pistóia. Suas cinzas repousam no monumento aos mortos da segunda guerra mundial.


Aspirante Aviador da Reserva Convocado Frederico Gustavo dos Santos, abatido quando cumpria a sua 44ª missão de guerra; foi atingido às 09h30m do dia 13 de abril de 1945, no momento em que atacava um depósito de munições ao Norte de Casarsa.


O deposito explodiu violentamente atingindo o avião, arrancando uma das asas e fazendo com que o mesmo se precipitasse ao solo. Era muito jovem. Não tinha completado 20 anos.


5 – 1º Tenente Aviador Luiz Lopes Dornelles – em combate no dia 26 de abril de 1945.









Luiz Lopes Dornelles, capitão Aviador (post-mortem), nascido no dia 09 de junho de 1920, filho do General Argemiro Dornelles e de D. Elília Lopes Dornelles. Sentou praça no dia 01 de abril de 1939. Faleceu em combate na Itália no dia 26 de abril de 1945.


Teve nove citações e desempenhou 89 missões de guerra. Agraciado com as seguintes medalhas: Campanha da Itália, Cruz de Aviação (fitas A e B), Cruz de Sangue, Cruz de Bravura, Medalha do Atlântico Sul, AIR Medal, e Distinguished Flyng Cross ( AIR Medal com Clusters).


Sepultado em Pistóia. Suas cinzas repousam no monumento aos mortos da segunda guerra mundial. Tenente Aviador Luiz Lopes Dornelles, abatido no dia 26 de abril de 1945, quando atacava uma locomotiva em Alexandria, enfrentando pesada artilharia.


Foi talvez a morte mais violenta e brutal registrada durante a campanha. Era 7h05m do dia 26 de abril, quando mergulhou para metralhar a locomotiva; não se sabe se desfaleceu na vertigem do pique ou se o aparelho não atendera ao seu comando. A verdade porém, é que mergulhou solo a dentro sem esboçar qualquer manobra.


No dia seguinte os patriotas italianos liberaram Alessandria, Gênova, Turim e Milão

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